|
|
| .Minas |
VARGINHA - O Ministério Público do município de Cássia, no Sudoeste de Minas, investiga um caso de constrangimento a que foram submetidas 35 crianças da Escola Municipal São Gabriel, no último dia 27 de agosto. Os estudantes foram obrigados a ficar nus durante uma revista da Polícia Militar, após uma denúncia de desaparecimento de R$ 19 da mochila de uma das alunas do 9º ano.
A ação dos policiais provocou constrangimento e revolta. Além da vergonha, os alunos queixam-se de estar enfrentando zombarias. O promotor público da comarca do município, Paulo Márcio da Silva, pediu a abertura de um inquérito policial após ouvir uma das 35 estudantes.
De acordo com ele, em casos como esse, o Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA) determina que o Ministério Público seja acionado. O delegado de Cássia, Roberto Piedade, disse que deverá convocar todos os estudantes e seus responsáveis para falar sobre o que aconteceu. Já o comandante da Polícia Militar de Cássia, José Geraldo Souza, disse que uma sindicância foi aberta para apurar o caso.
Alunos da escola contaram que as revistas ocorreram nos banheiros. “O policial chegou na sala e falou que todo mundo ia ter que tirar a roupa. Os alunos começaram a reclamar dizendo que não iam, mas ele falou que havia uma denúncia e a obrigação da PM era fazer o que estava no mandado”, disse uma estudante. Segundo ela, uma policial feminina levou cada aluna ao banheiro para fazer a revista. Já os meninos tiveram que se dirigir ao banheiro masculino onde também foram revistados.
De acordo com a aluna que conversou com o promotor, a direção da escola teria concordado com o procedimento. A mãe de um aluno que não quer se identificar disse que os estudantes estão sendo motivo de chacota entre os demais colegas. “Tiveram que tirar o tênis, as camisetas e depois abaixar as calças até o joelho. Imagine o que fez o restante dos alunos quando ficaram sabendo disso. É uma gozação só e com isso eles ficam muito chateados. Meu filho não quer voltar à escola”, comentou.
A direção da escola São Gabriel nega que houve abuso de autoridade por parte dos policiais e afirma que a atitude de chamar a polícia partiu dos próprios alunos, por meio do celular. A diretora não quis se identificar. O dinheiro não foi localizado.