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VERA DONATO
Voz e piano: a cantora paraense Fafá de Belém fará um passeio pelos 35 anos de carreira
Acontece neste domingo a última edição do projeto “Sesc.MPB.com”, que promoveu ao longo do ano sete encontros inéditos (alguns até inusitados) no Parque Municipal. O encerramento da temporada 2009 fica por conta da paraense Fafá de Belém e do mineiro Renato Motha. Apostando na presença do público, que prestigiou todas as apresentações, a produção transferiu o palco, antes na frente do Teatro Francisco Nunes, para o gramado nos fundos do Palácio das Artes.
Cada um terá seu momento no palco. Juntos, eles interpretarão “Tanto”, de Beto Guedes e Ronaldo Bastos, e duas parcerias de Milton Nascimento e Fernando Brant: “Maria Solidária” e “Maria Maria”. Detalhe: como Fafá de Belém só chega em BH sábado à noite, eles terão apenas um rápido encontro antes do show. “Vou ter que me adaptar ao tom da Fafá e ao arranjo dela, vou entrar no contexto dela. Vai ser um bom desafio. Essas coisas que acontecem de improvisação costumam dar certo, gosto disso”, garante Renato Motha.
Acompanhada pelo pianista Luiz Karan, Fafá de Belém fará um passeio por sua carreira. “É um repertório para cantarmos juntos, desde “Sedução”, “Sob Medida” e “Foi Assim” até o “Vermelho”! É muito bom ter o povo cantando conosco!!!”, registra a cantora, por e-mail, de Nova Iorque, onde fica até sábado.
Músicas como “Bilhete”, “Filho da Bahia”, “Pauapixuna”, “Foi Assim” e “Raça” também estão no roteiro. A cantora diz que escolhe o repertório de seus discos e shows (e já apostou em lambada, sertanejo, bolero, fado, brega, guarânia, forró) seguindo o coração, o felling e o perfil do público que estará presente.
Fafá conta que o formato piano e voz surgiu de um convite para show no Teatro Rival, no Rio de Janeiro, em 2004. Deu tão certo que acabou virando CD. Por falar nisso, seu último trabalho é o CD/DVD “Ao Vivo”, de 2007. Para 2010, quando comemora 35 anos de carreira, a cantora promete “muitas novidades”. Não descarta nova incursão pela televisão - estreou como atriz na novela “Caminhos do Coração”, da Rede Record. “Foi maravilhoso, gosto de desafios mas tudo depende do texto”.
Entre os momentos mais marcantes da carreira, ela aponta a Campanha das Diretas (acha que os artistas, enquanto ídolos e formadores de opinião, devem se posicionar politicamente) e quando foi escolhida para cantar para o Papa João Paulo II. Apesar de ser muito popular, diz que também teve que enfrentar preconceitos por explorar a sensualidade, por exemplo. “Todos temos que enfrentar preconceito, o artista está sempre na berlinda”.
Fafá de Belém ainda não conhece o trabalho de Renato Motha, mas está totalmente receptiva. “Todo encontro entre músicos (me considero mais músico do que qualquer outra coisa!!!) cria uma parceria. Este projeto me faz lembrar o Projeto Pixinguinha que, infelizmente, não existe mais. Juntar dois olhares sobre a canção cria um outro olhar e é isso que é saudável na música. Com certeza, faremos outras parcerias”.
Renato Motha retribui, definindo o encontro com Fafá como “curto, mas intenso”. Tenho muita admiração pelo trabalho dela, pelo carisma, pela força do canto, pela postura de vida, ela é uma pessoa politizada, preocupada com o futuro do país, e tem uma presença muito marcante na música popular brasileira”, afirma Motha.
O artista mineiro abre a apresentação às 11 horas, desfilando ao violão repertório autoral com destaque para os álbuns “Dois em Pessoa” (2005) e “Rosas Para João” (2008). Das mais antigas, ele pinça “Menina da Lua”, gravada por Maria Rita. Em apenas uma música, “Tinha de Ser”, parceria com Fernando Brant, Renato Motha recebe como convidado o pianista Rafael Martini.
O músico define o clima de sua apresentação como delicado, cool. “Privilegiei minhas canções, só no final entram algumas mais ritmadas”, antecipa, apostando que o público vai gostar de encontrar uma atmosfera contemplativa num domingo de manhã no parque.
Para Fafá, apresentações como esta, gratuitas e ao ar livre, são a forma mais democrática de chegar ao povo. Pelo projeto já se apresentaram Tetê Espíndola & Chico Lobo, Zezé Motta & Maurício Tizumba, Angela Ro Ro & Pedro Morais, Olivia Byington & Lô Borges, Maria Alcina & Renegado, Joyce & Affonsinho. Em comum, o fato de serem cantoras de reconhecimento nacional, cuja carreira iniciou nos anos 70,e compositores mineiros de prestígio junto ao público.
Fafá de Belém conta um pouco mais de sua carreira na entrevista abaixo:
Antes de anunciar seu nome, Pedrinho Alves Madeira, idealizador e produtor do projeto Sesc.MPB.com, disse que a convidada de setembro seria uma grande diva da MPB, que atrairia mais público que as edições anteriores (que trouxeram Tetê Espíndola, Zezé Motta, Angela Ro Ro, Olivia Byington, Maria Alcina e Joyce). O que acha disso?
Sinto-me honrada com as palavras do Pedrinho. Todas as cantoras que passaram por este palco são grandes nomes e grandes divas da Canção Brasileira. Estar no mesmo projeto só engrandece minha carreira.
Fale sobre seu show: repertório, formação piano-voz, clima etc.
Este formato de show faço já há alguns anos. Em 2004 fui convidada para uma temporada no Teatro Rival (no Rio de Janeiro) e eles me pediam um espetáculo pequeno onde a identificação com o público e repertório fosse a linha de condução. Criamos aí o Piano e Voz e foi lançado um CD pela Warner Music. É um repertório para cantarmos juntos, desde "Sedução", "Sob Medida" e "Foi Assim" até o "Vermelho"! É muito bom ter o povo cantando conosco!!!
Seu trabalho mais recente é o CD/DVD Ao Vivo, de 2007. Já pensa no próximo projeto? O que pode antecipar dele: será de estúdio ou ao vivo? Terá inéditas ou apenas releituras? Será temático? Terá convidados especiais? Será lançado quando? Já mostra alguma coisa dele em BH?
Nunca lancei disco ano a ano. Hoje faço meus produtos, pelo meu selo, e faço uma parceria com uma grande multi, como a Sony, por exemplo. Ano que vem completo 35 anos de carreira e vem muita novidade por aí.
Conhece o trabalho de Renato Motha? Qual a expectativa em relação a esse encontro? Pode acontecer alguma parceria futura a partir desse encontro?
Todo encontro entre músicos (me considero mais músico do que qualquer outra coisa!!!), cria uma parceria. Este projeto me faz lembrar o Projeto Pixinguinha que infelizmente não existe mais. Juntar dois olhares sobre a canção cria um outro olhar e é isso que é saudável na musica. Com certeza faremos outras parcerias.
O que acha de apresentações gratuitas, ao ar livre?
A forma mais democrática de chegar ao povo.
Quando foi sua última passagem por BH? Que lembranças tem da cidade?
Tenho grandes amigos em Minas e de vez em quando passo por aí. Gostaria muito de lavar o "Tanto Mar", onde canto só canções do Chico Buarque para o Palácio das Artes.
Como foi a experiência de atuar na televisão? Novos projetos nessa área? Que tipo de convite faria você dizer sim?
Não sei. Foi maravilhoso, gosto de desafios mas tudo depende do texto.
O Brasil é conhecido hoje como o país das cantoras. Entre os muitos nomes que apareceram nos últimos anos, quem acha que merece destaque?
Todas elas. É muito difícil chegar a todo o Brasil e todas as que conseguiram e as que tentam com dignidade e respeito o caminho da música merecem minha admiração.
Você já gravou lambada, sertanejo, brega, bolero, fado, guarânia, forró... O que você considera na hora de escolher o repertório de um disco/show?
Meu coração, meu felling e o perfil do público que estará presente.
Nesses mais de 30 anos de carreira, que momento aponta como o de maior emoção?
A Campanha das Diretas e depois a caminhada com Trancredo Neves rumo à democracia. Outro momento marcante foi quando fui escolhida para cantar para o Papa João Paulo II.
Joyce me disse que enfrentou muito preconceito por ser pioneira, por tocar violão "como homem" (nas palavras de Bôscoli), cantar e compor na primeira pessoa do feminino. Você já passou por isso, por explorar a sensualidade, por exemplo?
Todos temos que enfrentar preconceito, o artista está sempre na 'berlinda" para o bem o para o mal.
Você ficou conhecida como a musa das Diretas. Acha que os artistas, enquanto ídolos e formadores de opinião, devem se posicionar politicamente?
Sim.
Acompanha de perto o trabalho da Mariana Belém? O que ela tem feito?
Mariana está há um ano esta fazendo um show cujo repertório reverencia suas origens musicais . Desde o avô Raul Mascarenhas, a avó Carminha Mascarenhas, o pai Raul Mascarenhas (saxofonista), passa por mim e chega ao que a fez cantar.
Fafá de Belém & Renato Motha - Encontro inédito encerrando a edição 2009 do projeto “Sesc.MPB.com”. No Parque Municipal, no gramado atrás do Palácio das Artes, neste domingo, às 11 horas. ENTRADA FRANCA.